sábado, setembro 05, 2009

Vidas e Mortes

Sozinho e despido nasces, sozinho e despido morres.

As nossas relações humanas e todas as nossas posses são na realidade uma fachada dourada que sobrepomos sobre a nossa miserável existência.

Alguém me disse um vez que não pediu a ninguém para nascer, e que se tivesse de escolher entre a vida e morte, escolheria a morte. A não existência dá muito menos trabalho. Não há altos, não há baixos. Não há nada. Perfeito.

Essa pessoa, no entanto, desfruta da vida como poucos. Vive-a intensamente e aproveita cada travo que ela lhe oferece. Talvez seja da sua consciência perfeita do seu ser e suas limitações. Talvez seja porque ela não tem coragem de acabar com a sua própria vida e, sendo assim, não tem outro remédio senão aproveita-la.

Curioso não é?

Conversas

"Olá! Como estás? O que tens feito?"

Como se explica em algumas frases breves todo um conjunto de experiências: pessoas que nos marcaram, pessoas que amámos, novas perspectivas, novas maneiras de pensar, paisagens que ficaram queimadas na memória, festas, bebedeiras, momentos de divertimento, o prazer da carne, amizades, paixões, mágoas, momentos cinematográficos, traições, beijos, abraços, ternura, conversas sobre tudo, sobre o nada, sobre a vida, sobre filosofias?

Como se explica a alguém o que vivemos? E será que realmente interessa? Será que alguém quer mesmo saber da vida dos outros? Será que na verdade nos estamos todos a marimbar para o que os outros viveram, e só queremos beber alguma da sua experiência para enriquecer o nosso eu?

quinta-feira, setembro 03, 2009